Ao fim da tarde de 12 de agosto, a luz mudará. Em grande parte de Portugal, o Sol ficará reduzido a uma lâmina luminosa antes de recuperar, pouco a pouco, a sua forma habitual.

Não é o Sol que se apaga. É a Lua que passa entre a Terra e o Sol e projeta a sua sombra sobre uma faixa do nosso planeta. Em Aveiro, o eclipse será parcial, mas mais de 90% do disco solar ficará oculto no momento de maior cobertura. Numa pequena área do nordeste transmontano, o eclipse poderá ser visto como total.

Como pode a Lua tapar o Sol?

O Sol tem um diâmetro cerca de 400 vezes superior ao da Lua, mas está também aproximadamente 400 vezes mais longe da Terra. Por essa coincidência de proporções, os dois astros parecem ter quase o mesmo tamanho quando observados no céu.

Um eclipse solar acontece na fase de Lua nova, quando a Lua se encontra entre a Terra e o Sol. Porém, não acontece todos os meses. A órbita da Lua está inclinada cerca de cinco graus em relação ao plano da órbita terrestre. Na maioria das luas novas, a Lua passa um pouco acima ou abaixo do Sol. É necessário que atravesse um dos pontos em que os dois planos orbitais se cruzam.

Umbra e penumbra: duas sombras

A Lua projeta duas regiões principais de sombra. Na umbra, a parte mais escura e estreita, o Sol fica totalmente oculto. É aí que ocorre um eclipse total. Na penumbra, apenas uma parte do disco solar é escondida: é o eclipse parcial que será observado na maior parte do território português.

O fenómeno não tem a mesma aparência em todos os lugares. A geometria da sombra e a posição de cada observador determinam a percentagem de Sol ocultada e os horários de cada fase.

A cronologia em Aveiro

Os horários seguintes são aproximados e podem variar ligeiramente consoante o ponto exato de observação:

  1. 18h35 — primeiro contactoA Lua começa a cobrir a borda do Sol. A alteração inicial é discreta.
  2. Cerca das 19h30 — máximoO disco solar atinge a maior ocultação. O Sol estará baixo, na direção oeste.
  3. 20h26 — fimA Lua deixa de cobrir o Sol e termina a fase parcial observável.

O que poderemos notar?

A luminosidade diminuirá, mas não será igual à noite. As sombras podem tornar-se mais nítidas e, entre as folhas das árvores, pequenos intervalos funcionarão como câmaras de orifício, projetando no chão muitas imagens do Sol em forma de crescente.

Poderá também ocorrer uma descida ligeira da temperatura. Alguns animais podem reagir à mudança de luz, embora o comportamento não seja igual em todas as espécies nem em todos os eclipses.

Ver sem ferir os olhos

Olhar diretamente para o Sol pode lesar a retina sem provocar dor imediata. Os óculos de sol comuns, mesmo muito escuros, não oferecem proteção suficiente.

A observação direta exige óculos próprios para eclipses que cumpram a norma internacional ISO 12312-2 e que não estejam riscados ou danificados. Binóculos, telescópios e câmaras precisam de um filtro solar adequado colocado na parte da frente do equipamento. Nunca se deve olhar através de um instrumento ótico usando apenas óculos de eclipse: a luz concentrada pode destruir o filtro e causar uma lesão grave.

Uma alternativa segura é a projeção indireta, por exemplo através de uma pequena abertura num cartão, que forma a imagem do Sol sobre outra superfície. Não é necessário olhar para o Sol para acompanhar o eclipse.

Da previsão ao laboratório natural

Hoje, os eclipses podem ser calculados com grande precisão porque conhecemos os movimentos da Terra e da Lua. Essa previsibilidade não retira valor científico ao fenómeno.

Durante o eclipse total de 29 de maio de 1919, observações realizadas na ilha do Príncipe e em Sobral, no Brasil, mediram o desvio aparente da luz das estrelas junto ao Sol. Os resultados ficaram associados a uma das primeiras confirmações observacionais da teoria da relatividade geral de Albert Einstein.

Em 2026, a Agência Espacial Europeia acompanhará o eclipse com missões como a Proba-3 e a Solar Orbiter. O objetivo é estudar a coroa solar — a atmosfera exterior do Sol — e comparar o eclipse natural com os eclipses artificiais produzidos por instrumentos científicos.

Compreender não elimina o espanto

Explicar um eclipse não o torna banal. Pelo contrário: permite perceber a precisão dos movimentos envolvidos, a escala das distâncias e a fragilidade da posição a partir da qual observamos.

A ciência não substitui o espanto por uma fórmula. Dá-lhe contexto e impede que a admiração dependa do erro.

Amanhã, o Sol não desaparecerá. Durante alguns minutos, veremos com maior clareza o movimento do mundo em que vivemos.

Fontes consultadasDados do eclipse e percurso: NASA ↗ e Agência Espacial Europeia ↗. Segurança da observação: NASA — Eclipse Safety ↗. Contexto português: IPMA ↗. Eclipse de 1919: Royal Astronomical Society ↗. Os horários locais são aproximados.